POESIAS


ESMALTE
Por: Dan Quintão 

Perguntaram-lhe qual preferia:
“Às vezes pinto de branco, às vezes pinto de preto.”



IN MEMORIAM
Por: Dan Quintão 

Em memória da morte que nos assola
Da ilusão que nos consola
Cansada
Suspira
...
Some



"QUESTÃ"
Por: Dan Quintão

Somos seres amaldiçoados
(De)Mentalmente flagelados
Entregues à própria sorte
Autores do próprio corte
E por isso somos açoitados
Por uma dúvida dos diabos:
É Deus ou o ego que fode
Com essa estória de morte?



AMARELA
Por: Dan Quintão

Seus olhos são amarelos
Seus cabelos são amarelos
Perto dela eu amarelo
E sorrio um sorriso amarelo

Sua pele não é amarela
Sua atitude não é amarela
Nunca escolhi a cor amarela
Não tenho coisa nenhuma amarela

Mas passei a gostar de amarelo
Quando vi ela tão amarela
Se entrou na minha vida o amarelo
Foi porque passei a amar ela



LITERATURA ESCÓRIA
Por: Dan Quintão

Jogamos fora o que não nos serve mais
Verborragia vomitada lançada aos animais
Chamamos de preciosas essas palavras anais
E ao nosso egoísmo nomeamos satanás


FUNK PUTOLÍRICO
Por: Dan Quintão

Levanta, intrépida espada de veneno
Para que o gozo da luta seja pleno
Penetrando corpos, lancetando rins
Revolvendo vísceras e afins
Promovendo o clamor oral
Ignorando a cerimônia anal
Urram os que se tornam suas ceias
Surrados pelo vigor de suas veias
Falo que fura e flecha
Faz furo que não se fecha
E quando o auge da labuta encerra
Baixa a guarda, sonolenta, ao fim da guerra


INTERIOR
Por: Dan Quintão 

Mantenha suas propriedades no interior
Porque quando as metrópoles estiverem em chamas
Ao simples será dado o real valor
E então você escolherá... se vende ou não?


FRISO
Por: Dan Quintão 

É proibido entrada
É proibida a entrada
Proibido entrada
Proibida a entrada
Entrada proibida
Entrada é proibido
A entrada é proibida

Impossível explicar melhor


MULTIFUNCIONAIS
Por: Dan Quintão

Claudinei coçava a barriga enquanto voava
Michelle comia pão enquanto perdia a cabeça
Joanna lia um livro enquanto esmagavam-lhe a nuca
Batista ouvia música enquanto esmagava Joanna
Pedrinho balbuciava enquanto saía pela janela
Roberval cochilava enquanto encarava a carreta


CICLO
Por: Dan Quintão 

Seu rosto felino desenha sorrisos com a boca e com os olhos
Cansados olhos, preocupados de dar dó e vontade de enxugar
Ferida boca, inconstante de expressão e desejo de beijar
Quem sabe um dia minha vontade de ficar perto seja correspondida?
Pois fico triste em pensar no pouco tempo que tive para te acariciar
Talvez seu perfume, gosto e jeito sejam mais cativantes que meros ferormônios
E em meu pensamento científico espero que um dia se repita esse ciclo


EYESKISS
Por: Dan Quintão

Meus olhos nos seus olhos
Olho e beijo o olho gelado
Seus olhos nos meus olhos
Beijo o olho e olho gelado
Olhos meus nos olhos seus
Olho o olho e beijo gelado
Nos olhos meus seus olhos
Beijo e olho o olho gelado


COWBOY URBANO
por: Dan Quintão

Tenho o GPS mais preciso da zona oeste
E corro pra te buscar sobre 77 cavalos
Te laço pelo celular, usando o sinal do telefone
Sem tempo para apreciar All Stars pelas quais passei
Fugindo de bandidos armados até os dentes
Lidando com flanelíndios que me exigem metais
Meu amor, eu te prometo: saloom-house nunca mais.


NUM PEDAÇO DE PAPEL
por: Dan Quintão

Num pedaço de papel eu me descrevo
Eu tô na terra, eu tô no céu
Eu sou julgado e condenado no lugar do réu

Sim, sei o meu lugar
Não pertenço a este mundo, mundo que não quer mudar por mim
Sim, sei o meu lugar
Duas moedas valem mais do que a vida que deram por mim

No dia trinta do mês dois
Ou, quem sabe, no décimo terceiro mês
Não terei forças pra cuspir na cara de um burguês

Cinco caminhos pra seguir
Todos levando para um mesmo lugar
Oito dias por semana pra poder me achar

Sim, sei o meu lugar
Não pertenço a este mundo, mundo que não quer mudar por mim
Sim, sei o meu lugar
Duas moedas valem mais do que a vida que deram por mim


DILÚVIO
por: Dan Quintão

Muitas histórias e tão pouco pra falar
Durante a vida sentimentos de amargar
Cabeças giram controladas pelo tempo
E tanta gente aí fugindo do convento

Letras pacatas pelo universo inteiro
Músicas loucas são cantadas no banheiro
Vendo TV nada mais é interessante
E aquele livro abandonado na estante

E o dilúvio que faz parte da memória
É a chassina mais cabal de toda a história
Se perguntarem por que Deus agora chora
É porque viu um filho seu cheirando cola

Depois da chuva sempre vem a tempestade
Um temporal, um temporal
Durante o temporal sempre tem enxurrada
Não sobra nada, não sobra nada