Imagine a quantidade de pessoas que existem no mundo. Alguns bilhões de
pessoas, certo? Ok, agora some a esse número todas as pessoas que já existiram
sobre o nosso planeta azul, desde os homens das cavernas até hoje, e some
também as pessoas que nasceram até a extinção da humanidade. Obviamente, não se
pode saber isso, mas pense mesmo assim, a intenção é essa. Agora subtraia as
mulheres e crianças, deixando apenas os homens capazes de reprodução (inclusive
os pivetes que adoram um banheiro…). Ainda assim é um número exorbitante. Mas
para ficar ainda mais difícil, pense em quantas ejaculações esses homens já
tiveram, estão tendo ou terão em suas vidas. E por fim, multiplique tudo isso
por milhões e milhões de espermatozoides que são liberados em cada uma, CADA
UMA dessas ejaculações!
Sei que parece um assunto meio estranho, afinal, cada um que tome conta
de sua vida sexual, certo? Entretanto, minha intenção é te mostrar uma coisa
que certamente poucos percebem, coisa que não deveria passar em branco.
Com base nessa reflexão que você acaba de fazer, chegamos a seguinte
pergunta: Qual o objetivo da nossa vida? Se você é ateu, como eu, já ouviu isso
inúmeras vezes “Se você não acredita em Deus, qual o objetivo da sua vida? Pra
onde vai quando morrer? Não quer ver seus familiares e pessoas que você ama no
paraíso?”. Essa indagação sem lógica me deixa um tanto triste. Triste por ver o
quão ingrato, ganancioso e irracional pode ser o ser humano.
Como vimos, um número inimaginável de pessoas teria nascido se todos os
espermatozoides pudessem ocupar o mesmo óvulo. Se todos eles tivessem
fecundado, não haveria espaço na Terra pra tanta gente. No entanto, quis a
natureza que apenas um deles fosse o vencedor da corrida pela vida. Apenas um
para alcançar o portal para o mundo em que vivemos. Cada um de nós.
Quantos gênios mais inteligentes que Newton, Einstein e Hawking, quantos
artistas mais talentosos que Da Vinci, Michelangelo, Picasso, quantos músicos
superiores a Mozart, Bach, Haendel, poderiam ter nascido? E além disso, pode
ser que tenha deixado de nascer aquele que iria descobrir a cura da Aids, da
diabetes, e tantas outras doenças. Ou aquele que iria acabar de vez com a
guerra no mundo, ou que ia revolucionar a ciência. Ou quem sabe aquele que iria
descobrir vida em outros planetas…
No fim, somos nós – muitos não merecedores – mas fomos nós que vencemos
a corrida, nós ganhamos o prêmio mais valioso, disputado a cada milésimo de
segundo na Terra por milhões de espermatozoides apressados. Nós que reclamos de
nossas vidas, muitas vezes infeliz, mas ainda assim, é uma vida. Se todos nós
pensássemos assim, não perderíamos tempo com coisas tolas, pois cada segundo
deveria ser aproveitado.
E a ingratidão vem quando chegam e dizem que temos de nos sacrificar na
vida para termos o paraíso após a morte. O quê? Tá maluco? Você não entendeu,
né? Será mesmo que existe um objetivo mais real do que aproveitar os míseros 70
ou 80 anos, talvez mais, talvez menos, que conquistamos de vida? O Universo tem
aproximadamente 14 bilhões de anos, e há indícios de que pode ter até mais.
Nós, nesse tempo todo, conquistamos por direito a oportunidade de viver no
único planeta habitável do Sistema Solar por alguns anos e eu devo jogá-los
fora por um mito criado pelo homem há alguns milhares de anos, só porque você
me diz que te disseram que se eu for bonzinho eu vou virar um anjinho no céu?
Quanta ignorância.
O homem perde tempo com o que vai acontecer depois, quando o real é o agora.
Ao fim da última batida de nossos corações nada mais existirá, nunca mais. A
humanidade acabará, os animais morrerão, tudo deixará de existir, inclusive
nosso maravilhoso lar, e você não verá nada disso, não saberá, e sequer será
lembrado. Daqui centenas de anos, provavelmente, se acharem nossos ossos, nos
definirão apenas como um esqueleto de centenas de anos atrás, nossa identidade será
desconhecida para sempre.
Quando morrermos não mais veremos o azul do mar, nem o brilho do Sol,
nem as estrelas que um dia se sacrificaram para gerar os elementos que permitem
tudo o que há hoje existir. Não veremos amigos, família, amores, lugares, nada.
Não pensaremos, e o pior, não teremos oportunidade de nos arrependermos dos
nossos erros. Aqueles que viveram esperando pelo Juízo de Deus, pelo paraíso e
toda essa baboseira, nem saberão ao menos que foram enganados durante tanto
tempo. Não consigo ver coisa pior na morte. Ao morrermos, nossa existência será
apenas uma curta memória dos nossos familiares e amigos próximos, que também
morrerão. Pode parecer depressivo, mas só nos mostra o quanto a vida é
incrível.
Com isso, minha resposta para “Qual é o objetivo da sua vida se você não
acredita em Deus?” é: “ O objetivo da minha vida é viver, ser feliz, me
arrepender dos erros e aprender com eles, amar aos outros e ajuda-los e
entenderem esse objetivo. E acima de tudo, aproveitar cada segundo, cada grão
de areia no fundo da ampulheta, do prêmio que eu ganhei por superar a marca que
um número imensurável de pessoas muito mais merecedoras que eu não conseguiu.
Viver. É essa a essência, aproveitar enquanto dura.