Por: Karol Figueiredo
E então há as pessoas, relações, contextos e situações. Daí vem os
relacionamentos interpessoais: os sólidos, os superficiais, os intensos, os
eventuais e outras classificações. E existe o meu pessimismo existencialista.
Isto fode totalmente com o que tange toda a minha vida. Primeiro, porque não é
fácil se intensificar nas relações quando constantemente você se avalia com a possibilidade
da morte iminente; segundo, porque além de analisar eu considero a pior
possibilidade e a tomo como mais provável.
Ter um pessimismo existencialista
como “filosofia de vida” tem seus prós e contras. O pró, nesse caso, seria ter
um resultado um tanto quanto otimista se comparado ao parâmetro inicial, já que
se eu estou escrevendo este texto significa que nenhum motorista embrigado às três
da tarde me atropelou na calçada enquanto eu voltava do supermercado. O contra
é que eu tenho que lidar com as coisas da forma como elas estavam, inacabadas,
e não próximas ao fim, como minha mente previra. É simplesmente impraticável
conversar (ou deixar a entender) com todas as pessoas como se – err...bom... – fosse
a última vez, sua ou dela, não importa.
Eu poderia mentir pra mim mesma e dizer que essa é uma perspectiva realista. Mas não é. Realismo é lidar com a morte como inevitável, de forma que não me atrapalhe em meus planos. Pessimismo é não me engajar em projetos a longo prazo, porque, bom, não sei se estarei viva para isso.
O existencialismo me põe como responsável - e não culpada - pelos meus atos, o que acaba dando certa sensação de controle e de escolha, mas fato é que essa
Veja bem, contrariando o senso comum e as pessoas que leram ‘O Pequeno
Príncipe’ (ou estariam os dois grupos no mesmo pacote?), não me sinto
minimamente responsável pelas pessoas que cativo. Primeiramente, porque não me
esforço pra isso. Segundamente, simplesmente não me importo. Sinceramente,tudo
bem que eu vivenciei poucas coisas nesta vida, mas o pouquíssimo de experiência
que tenho me permitiu observar que é mais inteligente olhar pra si. A máxima de
Hobbes é totalmente válida ‘o homem é o lobo do homem’. As pessoas não conhecem
os outros, tampouco a si, de forma que eu tomei pra mim, há bastante tempo, que
não devo basear escolhas, decisões e gostos nos pensamentos ou achismos de
outras pessoas. Simples: o que realmente importa e deve importar pra mim é o
que eu penso/acho. Não é uma decisão ilhada e egoísta (não totalmente egoísta),
é apenas o modo mais próximo que eu consegui chegar à autossuficiência.
O que as pessoas que amo pensam importa. O que é importante pra elas,
muitas vezes, se torna importante pra mim. Eu não defendo posturas inflexíveis,
mas eu acho que o que tange as minhas prioridades na vida e princípios deve ser
decidido por mim, apenas. Mesmo que o meu subconsciente aja sem meu
consentimento me fazendo escolher sinuosamente, a iniciativa dos rumos que vou
tomar é exclusiva minha. E isso abrange todos os âmbitos da minha vida: o curso
que farei, os amigos que irão à minha casa, a pessoa que beijarei, o político
no qual votarei etc.
Quando assumo para mim que a interferência que as outras pessoas vão ter
é mínima, eu espero a recíproca. Eu, inclusive, me assusto com aproximações que
exijam um pouco mais da minha atenção, simplesmente porque eu rejeito a
responsabilidade de me tornar responsável por coisas que eu não sei mensurar
nem julgar com precisão, como por exemplo o que outra pessoa sente.
O que eu falo-acho-penso não é importante nem deve ser tratado como tal, simplesmente porque – TCHARAM! – é apenas o que minha mente limitada foi capaz de observar e chegar às conclusões que exprimo. Não deve ser relevante para outra pessoa. Meus melhores amigos divergem de mim em pontos de vistas totalmente cruciais. O que os torna tão interessantes é exatamente o fato de que eles têm toda uma base sólida para defender o que acreditam, que pouco importa o que eu penso. E isso não gera atrito entre nós.
Sempre aparecem pessoas que não entendem o padrão comportamental do ‘não
faz diferença o que você pensa’ e almejam alcançar certos níveis de relevância
na nossa vida, tentando tornar importante tudo o que elas têm a dizer, gerando frustração
ao perceberem que o esforço, na maioria das vezes, é inútil. Não vou me apegar a
ideias só porque elas vêm de pessoas queridas. Isso seria negligenciar o ponto
que nos difere como seres humanos: a inteligência. Se busco clareza e
entendimento a respeito da vida, necessariamente não vou me atentar ao
enunciador, o que importa – e deve importar – é a mensagem.
E se relacionar fica cada vez mais complicado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário