O LUXO DA COR



Brancos, pretos, pardos, amarelos, indígenas (isso nem cor é).  Toda vez que se faz necessário preencher algum formulário, principalmente no que diz respeito aos formulários do governo federal, uma dúvida me ocorre: Que cor devo escolher para receber mais vantagens? Desculpe caros idealistas e defensores de raças e cotas, mas minha cor nunca está lá como opção. Tais questionários deveriam vir acompanhados de uma cartela de cores, como faz a Suvinil® – facilitaria nossas vidas nesse sentido, mas os benefícios da “cor” continuariam sendo uma questão ética.

Criança descobre que é negra
O argumento da escravidão é uma grande furada, o da favelização não funciona mais. Nem os dados do IBGE relativos à cor da população são precisos, já que por mais melanina que haja na pele vale o que se diz, não o que se vê. Bastante filosófico isso. Não confiar no que se vê. Platão adoraria. Retomando os dados do IBGE, o número de negros no Brasil aumentou, mas a população “branca” continua dominante. Arram, acredito...

Muitas pessoas não-brancas tem preconceito com a própria cor justamente porque o próprio conceito de cor está historicamente estereotipado. Eis aí mais um argumento dos que defendem o sistema de cotas raciais. O único equívoco, amigos, é que em testes onde a cor não importa esse sistema não se aplica - pelo menos não deveria. Por outro lado concordo plenamente com as cotas sociais: elas não dão vantagem a apenas uma parcela da população carente, mas sim a toda ela por igual (ou um sujeito negro "vale" mais que um de qualquer outra tonalidade de pele?).

A luta não deveria ser pela vantagem de agumas pessoas sobre outras, mas sim pela superação dos paradigmas raciais. Cores não fazem pessoas serem mais inteligentes ou necessitadas do que outras, gente burra vem em cores sortidas, como num pacote de jujubas. Sim, a inteligência pode ser desenvolvida através de estímulos e uma boa educação, e sim, os negros foram discriminados, mas acho que após um pouco mais de cem anos e uma miscigenação étnica e social intensa não faz mais sentido separamos a população por cores.

A lei da vantagem nunca resolverá problema algum, pois quem está na desvantagem futuramente poderá ser considerado uma minoria e haverá a necessidade, seguindo essa lógica, de dar a estes também algumas vantagens. É um ciclo vicioso. Isso vale para todo tipo de diferenciação, incluindo casos que vão além da cor, como é o caminho que a luta contra a homofobia está tomando e o movimento feminista, que passou do útil ao ridículo há muito tempo, mas deste falarei em outra oportunidade.

O que tento dizer é que um conceito tão ultrapassado quanto o de cor – que é apenas uma forma mais recente de definirmos a velha e conhecida “raça” – não pode e não deve ser tomado como base num país que se diz democrático (mais um termo que me faz rir). 

Talvez algum dia eu preencha um questionário que inclua nele minha cor e minha raça, nos seguintes moldes:

Cor:
(X)Brasileira
( )Outra

Raça:
(X)Humana
( )Outra

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