FAMÍLIA: EQUÍVOCO DOS MESTRES


 
Grandes líderes religiosos, políticos e inclusive ótimos profissionais das ciências humanas anunciam diariamente a desestruturação da “família” e seus riscos para os indivíduos e a sociedade. Uns tapados todos eles.

As estruturações familiares refletem a cultura vigente em cada tempo, suas regras morais, negligências e positividades. Uma família constituída por mãe e filhos não é inferior a uma família nuclear tradicional – pai, mãe e filhos juntos sob o mesmo teto - ou algo mais moderno como filhos de casais homossexuais. Nesse pacote podemos incluir famílias tentaculares, uma verdadeira colcha de retalhos genéticos, onde o filho da mãe não é filho do pai e o do pai biológico pode ser da tia ou da puta; inclusive, só para demonstrar que não há tanta diferença assim, lembre-se que filhos da puta podem ser encontrados em qualquer família.

Exemplo de família nuclear tradicional
A queda da família tradicional não precisa gerar o pânico, nem mesmo discussões acalouradas sobre seu bom ou mau funcionamento. Qualquer modelo familiar pode fracassar, mas nas discussões constuma-se esquecer dos problemas comuns à constituição familiar tradicional e utilizar-se uma visão bastante romântica da mesma. Crianças/pessoas se desenvolvem em bons ambientes, não em ideais sociais. É preciso discutir formas de auxiliar as novas famílias, não esse “isso” ridículo que infesta os debates como “será que se tornarão homossexuais?”, “serão mais rebeldes?”, “serão mais violentos?”. Na boa? Se já conhecemos esses conceitos e os colocamos em perguntas é porque eles já existem e vieram como herança da mesma família que intitulam ideal. Preocupemo-nos em evitar tais erros novamente então.

Toda reestruturação é um tiro no escuro, isso é fato. As coisas podem piorar ou melhorar, mas seja qual for o resultado a culpa não é deste ou daquele grupo familiar aparentemente estranho, apenas da própria sociedade que perde tempo demais julgando e tentando adivinhar o futuro ao invés de desenvolver sua capacidade de perceber o mundo atual ao seu redor, suas peculiaridades e potencialidades. Sim, acredito que cada nova estrutura social potencializa o desenvolvimento de determinadas áreas de seus cidadãos. Quais são, só o tempo dirá. Enquanto isso, mestres, por favor, procurem tirar os narizes de seus livros e teses por um segundo, descolar a bunda da cadeira, ir até a porta da rua e se decepcionarem ao perceberem que perderam tempo falando sobre a sociedade idealizada nas suas cabeças enquanto o que está lá fora evoluiu incrível e descontroladamente nesse meio tempo.

Agora dá licença que meu filho está chorando enquanto a mãe dele faz uma “boquinha” na casa do Sr. Vladimir e minha esposa, tia do meu filho, assiste TV balançando os braços. Já já dou um reset nesse tal The Sims.

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