EMPATIA E INVEJA



A inveja é vista como algo extremamente ruim pela sociedade, por outro lado a empatia e cultuada como a mais bela forma do humano tornar-se visível perante o outro. Lá vamos nós outra vez mostrar como as pessoas são bobinhas: empatia e inveja estão intimamente ligadas!

Antes de continuar, vamos explicar as duas palavras:


Empatia. Etimologicamente, "dentro da emoção", "junto com a emoção". Psicologicamente, identificação emocional da pessoa com indivíduos ou coisas percebidas. O radical da palavra empatia é pathos, termo grego com que designa a qualidade que excita a emoção. Difere da simpatia ou "união das emoções", da antipatia  "oposição das emoções" e da apatia "ausência de emoções". Segundo conceitua um tratadista, "Empatia é a capacidade que possuímos de penetrar a personalidade alheia para obtermos uma previsão, uma antecipação, uma avaliação o mais seguro possível das suas reações. Enquanto a simpatia pode criar uma expectativa otimista e a antipatia uma previsão pessimista, constituindo ambas uma visão deformada pelo sentimento, a empatia é uma identificação psíquica.

Inveja. Sentimento de cobiça do que os outros possuem; misto de pena e de raiva do bem alheio. Teol. A inveja é a tristeza pelo bem alheio, enquanto se considera como mal próprio ou diminuição do nosso bem. É um dos pecados chamados capitais, grave pelo seu gênero e oposto à caridade para com o próximo. "Ao invejoso emagrece-lhe o rosto e incha-lhe o olho".

GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA. Lisboa/Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, [s.d. p.].


Primeiramente devemos questionar como estamos empregando o termo “empatia”. A maioria das pessoas o usa como sinônimo de simpatia. Já escutei a frase “É que eu sou muito empática!” e o máximo que isso criou em mim foi um certo desprezo pela locutora; felizmente seus seios eram simpáticos o suficiente para mudar meus sentimentos. Lendo o conceito sobre empatia citado acima podemos então perceber que trata-se de algo mais abstrato e complexo, geralmente inadequado a uma descrição de valores próprios, pois engloba tais valores.

Imagem clássica da inveja (Empatia... u-úú! Eu tô te vendo!)
A inveja por sua vez é o resultado de um processo empático, onde o invejoso se coloca no lugar do outro e conclui que sua vida, ou apenas seu momento, deveria ser como aquilo o que vê ou melhor. Há envolvido aí também um “quê” de competitividade. Mas a inveja não precisa ser negativa, justamente por envolver essa competição – ainda que sem concorrência. Ela pode ser vista como um incentivo ao movimento de busca. Pode ser destrutiva, quando prejudica o ser invejado, ou construtiva, quando o ser invejado é apenas uma meta a ser ultrapassada. Nessas horas a inveja pode vestir uma fantasia que costumamos chamar de ganância – outra palavra cheia de maus-entendidos.

Você pode reler então o conceito de inveja e talvez questionar a negatividade como esta  é tratada, e que o que digo, apesar de fazer sentido, não se aplica tomando como referência tal bibliografia. Fato é que tais livros não são escritos por filósofos, mas por linguistas, já que, ao contrário daqueles, estes podem se dar ao luxo de publicarem conceitos incompletos sem o pesar da discussão sobre o tema. Se dicionários fossem escritos por filósofos cada palavra careceria um livro.

Deixem-me então tentar me fazer entender de uma vez por todas de forma mais sucinta: a empatia não é boa nem ruim, pois não pode um processo, gerador de consequências que podem ser consideradas boas ou ruins, ser considerado como tal, cabendo a aplicação desses conceitos morais apenas aos produtos, não aos produtores. A inveja pode ser positiva ou negativa devido ser resultado do processo da empatia, mas não prejudica necessariamente nenhuma das partes. Nesse sentido ela também não pode ser considerada boa ou ruim, pois além de produto é produtor, gerando a raiva ou a admiração, o ódio ou o amor. Chegaremos ao ponto em que o ciclo se fechará e concluiremos que a empatia também é resultado das sensações, tornando-se produto e produtora. A conclusão é: nenhuma sensação é boa ou ruim até que a moral defina como tal suas consequências.

Desculpe, mas quando você começou a ler este texto esperava mesmo uma conclusão para o tema proposto? Realmente sinto por você, mas a única conclusão que consegui chegar até hoje a respeito do assunto foi aquela passagem sobre os linguistas, os filósofos e as definições dos termos. Ah, sim! Ainda continuamos tão bobinhos como as outras pessoas.

2 comentários:

  1. excelente texto, dan dan! eu mesma tenho a mania de recorrer aos dicionários, exatamente pela praticidade. o lado ruim, como vc apontou, é que a 'pesquisa' fica pobre e pouco aprofundada, de forma que o conceito real e a discussão em torno da palavra procurada não esclarece muita coisa. estudando sociopatia, eu já tinha bastante noção de empatia, porém 'inveja' foi uma surpresa. excelente!

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  2. Fico feliz que você tenha gostado, Karol! Abraço!

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