Por: Dan Quintão
A inveja é vista como algo extremamente ruim pela sociedade, por outro lado a empatia e cultuada como a mais bela forma do humano tornar-se visível perante o outro. Lá vamos nós outra vez mostrar como as pessoas são bobinhas: empatia e inveja estão intimamente ligadas!
Antes de continuar, vamos explicar as duas
palavras:
Empatia. Etimologicamente, "dentro da emoção",
"junto com a emoção". Psicologicamente, identificação emocional da pessoa
com indivíduos ou coisas percebidas. O radical da palavra empatia é pathos,
termo grego com que designa a qualidade que excita a emoção. Difere da simpatia
ou "união das emoções", da antipatia
"oposição das emoções" e da apatia "ausência de emoções".
Segundo conceitua um tratadista, "Empatia é a capacidade que possuímos de
penetrar a personalidade
alheia para obtermos uma previsão, uma antecipação, uma avaliação o mais seguro
possível das suas reações. Enquanto a simpatia pode criar uma expectativa
otimista e a antipatia uma previsão pessimista, constituindo ambas uma visão
deformada pelo sentimento, a empatia é uma identificação psíquica.
Inveja. Sentimento
de cobiça do que os outros possuem; misto de pena e de raiva do bem alheio. Teol.
A inveja é a tristeza pelo bem alheio, enquanto se considera como mal
próprio ou diminuição do nosso bem. É um dos pecados chamados capitais, grave
pelo seu gênero e oposto à caridade
para com o próximo. "Ao invejoso emagrece-lhe o rosto e incha-lhe o
olho".
GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA. Lisboa/Rio de
Janeiro: Editorial Enciclopédia, [s.d. p.].
Primeiramente devemos questionar como estamos
empregando o termo “empatia”. A maioria das pessoas o usa como sinônimo de
simpatia. Já escutei a frase “É que eu sou muito empática!” e o máximo que isso
criou em mim foi um certo desprezo pela locutora; felizmente seus seios eram
simpáticos o suficiente para mudar meus sentimentos. Lendo o conceito sobre
empatia citado acima podemos então perceber que trata-se de algo mais abstrato
e complexo, geralmente inadequado a uma descrição de valores próprios, pois
engloba tais valores.
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| Imagem clássica da inveja (Empatia... u-úú! Eu tô te vendo!) |
Você pode reler então o conceito de inveja e
talvez questionar a negatividade como esta é tratada, e que o que digo,
apesar de fazer sentido, não se aplica tomando como referência tal bibliografia.
Fato é que tais livros não são escritos por filósofos, mas por linguistas, já
que, ao contrário daqueles, estes podem se dar ao luxo de publicarem conceitos
incompletos sem o pesar da discussão sobre o tema. Se dicionários fossem
escritos por filósofos cada palavra careceria um livro.
Deixem-me então tentar me fazer entender de uma
vez por todas de forma mais sucinta: a empatia não é boa nem ruim, pois não
pode um processo, gerador de consequências que podem ser consideradas boas ou
ruins, ser considerado como tal, cabendo a aplicação desses conceitos morais
apenas aos produtos, não aos produtores. A inveja pode ser positiva ou negativa
devido ser resultado do processo da empatia, mas não prejudica necessariamente
nenhuma das partes. Nesse sentido ela também não pode ser considerada boa ou
ruim, pois além de produto é produtor, gerando a raiva ou a admiração, o ódio
ou o amor. Chegaremos ao ponto em que o ciclo se fechará e concluiremos que a
empatia também é resultado das sensações, tornando-se produto e produtora. A conclusão é: nenhuma sensação é boa ou ruim até que a moral defina como tal suas consequências.
Desculpe, mas quando você começou a ler este
texto esperava mesmo uma conclusão para o tema proposto? Realmente sinto por
você, mas a única conclusão que consegui chegar até hoje a respeito do assunto
foi aquela passagem sobre os linguistas, os filósofos e as definições dos
termos. Ah, sim! Ainda continuamos tão bobinhos como as outras pessoas.

